Quem é o Anticristo?

anticristo

A palavra Anticristo vem do grego αντιχριστός e significa “opositor a Cristo”. No Novo Testamento, este termo é usado para designar aqueles que se opõem a Jesus Cristo, e também designa um personagem escatológico que dominará a terra no fim dos tempos.


Um Anticristo e vários anticristos

O Apóstolo João profetizou a vinda do Anticristo, um homem de pecado que surgirá no fim dos tempos, “a Besta que sobe do mar” – Apocalipse 13:1-8. Mas ele nos diz também que existem muitos outros anticristos, enganadores menores que também são auto-exaltados, maus e destrutivos. Eles são anticristos, mas não são “o” Anticristo:

“Não lhes escrevo porque não conhecem a verdade, mas porque vocês a conhecem e porque nenhuma mentira procede da verdade. Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Este é o anticristo: aquele que nega o Pai e o Filho. Todo o que nega o Filho também não tem o Pai; quem confessa publicamente o Filho tem também o Pai. Quanto a vocês, cuidem para que aquilo que ouviram desde o princípio permaneça em vocês. Se o que ouviram desde o princípio permanecer em vocês, vocês também permanecerão no Filho e no Pai. E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna. Escrevo-lhes estas coisas a respeito daqueles que os querem enganar. Quanto a vocês, a unção que receberam dele permanece em vocês, e não precisam que alguém os ensine; mas, como a unção dele recebida, que é verdadeira e não falsa, os ensina acerca de todas as coisas, permaneçam nele como ele os ensinou. Filhinhos, agora permaneçam nele para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança e não sejamos envergonhados diante dele na sua vinda. Se vocês sabem que ele é justo, saibam também que todo aquele que pratica a justiça é nascido dele.” (1 João 2:21-29)

“Amados, não creiam em qualquer espírito, mas examinem os espíritos para ver se eles procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo. Vocês podem reconhecer o Espírito de Deus deste modo: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne procede de Deus; mas todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus. Esse é o espírito do anticristo, acerca do qual vocês ouviram que está vindo, e agora já está no mundo. Filhinhos, vocês são de Deus e os venceram, porque aquele que está em vocês é maior do que aquele que está no mundo. Eles vêm do mundo. Por isso o que falam procede do mundo, e o mundo os ouve. Nós viemos de Deus, e todo aquele que conhece a Deus nos ouve; mas quem não vem de Deus não nos ouve. Dessa forma reconhecemos o Espírito da verdade e o espírito do erro.” (1 João 4:1-6)

Anticristos são todas aquelas pessoas que negam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus e Salvador da humanidade. E todos que negam o Filho, acabam por negar também o Pai, que O enviou (João 3:16; 16:28), pois o Pai e o Filho são um (João 10:30). Aquele que vê Jesus, vê o Pai (João 14:9), pois Ele está no Pai e o Pai está nEle (João 14:10). Por isso, devemos crer nEle do mesmo modo que cremos no Pai, e aceitar as Suas palavras, porque são palavras do Pai (João 14:10-11).

Sabemos que todos os muçulmanos negam que Jesus é o Filho de Deus e afirmam que Deus não é Pai de ninguém, e negam explicitamente a Trindade (Alcorão 4:171; 5:17, 73-75; 112:3).


O Anticristo

O Anticristo é conhecido por vários nomes. Paulo o chama de “o iníquo”, “o homem do pecado” e “o homem fadado à destruição”, que “se levanta contra tudo que se chama Deus ou é objeto de adoração, de forma que ele se apresenta no templo de Deus, proclamando ser Deus” (2 Tessalonicenses 2:1-10). A descrição mais detalhada do Anticristo está em Apocalipse 13, onde o apóstolo João se refere a ele como “a besta”. No Antigo Testamento, o profeta Daniel descreve as obras abomináveis do Anticristo, chamando-o de “chifre pequeno” (Daniel 7); Ezequiel o chama de “Gogue” (Ezequiel 38:1,; cf. Apocalipse 20:7). Existem vários outros nomes que a Escritura usa para se referir ao Anticristo.

O Anticristo será um líder mundial do poder político, militar e religioso. O mundo não vai conhecê-lo como o “Anticristo”, mas por algum nome atraente e um título atraente. Mas, assim como a palavra “anticristo” sugere, ele vai ser o oposto do que é o Senhor Jesus Cristo em todos os sentidos. Tudo o que Cristo é, o Anticristo não é; tudo o que Cristo não é, o Anticristo é:

  • Jesus veio do céu (João 6:38); o Anticristo vem do Abismo, o domínio espiritual do mal (Apocalipse 11:7);
  • Jesus veio em nome do Pai (João 6:38); o Anticristo vem em seu próprio nome (João 5:43).
  • Jesus foi desprezado pelo mundo (Isaías 53:3; João 1:10); o Anticristo será adorado pelo mundo (Apocalipse 13:3-4);
  • Jesus veio em humildade, como servo (Filipenses 2:7-8); o Anticristo vem em orgulho, afirmando ser Deus (2 Tessalonicenses 2:4; Daniel 11:36);
  • Jesus é a verdade (João 14:6); o Anticristo é a mentira (2 Tessalonicenses 2:9-11.);
  • Jesus é o Filho de Deus (Marcos 1:1; Lucas 1:35); o Anticristo é o filho da perdição (2 Tessalonicenses 2:3);
  • O apóstolo Paulo nos diz que o mistério (ou segredo) da divindade é que o próprio Deus nos foi manifestado em carne humana (1 Timóteo 3:16) – e que o mistério (ou segredo) da ilegalidade é que Satanás produziu um falso Cristo, o Anticristo, Satanás envolto em carne humana (2 Tessalonicenses 2:7-9);
  • Jesus é o verdadeiro Pastor (João 10:11-16); Satanás terá seu pastor do mal, o Anticristo;
  • Jesus é o Santo de Deus (Lucas 4:34); o Anticristo será o iníquo de Satanás (2 Tessalonicenses 2:9);
  • Jesus nunca pecou (2 Coríntios 5:21; 1 João 3:5; 1 Pedro 1:19;1 Pedro 2:22; Hebreus 4:15; Hebreus 7:26; Hebreus 9:14); o Anticristo será o homem do pecado (2 Tessalonicenses 2:3).

Jesus nos diz que, pouco antes de seu retorno, o Anticristo surgirá durante uma época de caos global e confusão, quando o mundo estiver em convulsão política, social, financeira e ecológica. As pessoas estarão aterrorizadas no mundo, desesperadas por um líder forte, e virão a este homem e lhe darão o controle dos governos do mundo:

“Se, então, alguém lhes disser: ‘Vejam, aqui está o Cristo!’ ou: ‘Ali está ele!’, não acreditem. Pois aparecerão falsos cristos e falsos profetas que realizarão grandes sinais e maravilhas para, se possível, enganar até os eleitos. Vejam que eu os avisei antecipadamente. Assim, se alguém lhes disser: ‘Ele está lá, no deserto!’, não saiam; ou: ‘Ali está ele, dentro da casa!’, não acreditem. Porque assim como o relâmpago sai do Oriente e se mostra no Ocidente, assim será a vinda do Filho do homem.” (Mateus 24:23-27)

“Se, então, alguém lhes disser: ‘Vejam, aqui está o Cristo!’ ou: ‘Vejam, ali está ele!’, não acreditem. Pois aparecerão falsos cristos e falsos profetas que realizarão sinais e maravilhas para, se possível, enganar os eleitos. Por isso, fiquem atentos: avisei-os de tudo antecipadamente.” (Marcos 13:21-23)

“Os dez chifres que você viu são dez reis que ainda não receberam reino, mas que por uma hora receberão autoridade como reis, juntamente com a besta. Eles têm um único propósito, e darão seu poder e sua autoridade à besta.” (Apocalipse 17:12-13)

Daniel nos diz que o Anticristo vai falar “arrogantemente” (Daniel 7:8), mas é claro que estas não serão ostentações vazias. O Anticristo parecerá possuir um brilho sobre-humano. Ele vai ser um orador carismático sem igual, o maior vigarista que já viveu, e ele vai unir as nações sob o seu domínio. No início, ele vai parecer um ditador sábio e benevolente, trazendo paz, prosperidade e esperança. Mas, depois que tiver firmado no poder, ele vai revelar as suas verdadeiras intenções.

A Bíblia diz que ele fará sinais e prodígios com o objetivo de enganar até os eleitos – os cristãos (Mateus 24:23-26; Lucas 13:21-23; Apocalipse 13:11-15). E ele fará um acordo de Paz com Israel de duração de sete anos (uma “semana” de sete anos), mas o quebrará na metade, isto é, após três anos e meio (Daniel 9:27) e então invadirá Jerusalém (Apocalipse 11:1-2) e “se oporá e se exaltará acima de tudo o que se chama Deus ou é objeto de adoração, a ponto de se assentar no santuário de Deus [provavelmente o Terceiro Templo de Salomão, que será construído em Jerusalém – Apocalipse 11:1-2], proclamando que ele mesmo é Deus” (2 Tessalonicenses 2:4).

Mas, afinal, quem é esse Anticristo? Bem, já vimos que não pode ser um líder meramente político (como Barack Obama ou Donald Trump, por exemplo), mas alguém que é também um líder religioso. Muitas pessoas afirmam que o Anticristo é o Papa Francisco ou algum outro papa da Igreja Católica. Porém, isso não pode ser verdade por muitas razões, sendo esta a principal: O Anticristo nega o Pai e o Filho. Os papas e os católicos em geral negam o Pai e o Filho? É claro que não! Eles creem que Jesus é o Filho de Deus e a Segunda Pessoa da Trindade, Deus encarnado. Em todas as suas missas eles dizem a Jesus: “Vós, que sois Deus, com o Pai e o Espírito Santo” (Missal Romano; Ordinário da Missa; Oração da Paz) e ainda oram a oração do “Creio” (ou “Credo Apostólico Niceno-Constantinopolitano”), que diz: “Creio em Deus Pai Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra. E em Jesus Cristo, Seu único Filho, nosso Senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo…”. Além disso, o Catecismo da Igreja Católica diz:

C.96.5.1.1: “Enviou Deus o seu Filho.

§422: “Quando, porém, chegou a plenitude do tempo, enviou Deus seu Filho…”

E a Escritura diz:

“Por isso, eu lhes afirmo que ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz: ‘Jesus seja amaldiçoado’; e ninguém pode dizer: ‘Jesus é Senhor’, a não ser pelo Espírito Santo.” (1 Coríntios 12:3)

Portanto, o papa não pode ser o Anticristo.

Mas, então, quem é o Anticristo? É um líder político, militar e religioso – o líder de uma religião – que nega o Pai e o Filho, e que assassina aqueles que dizem o contrário. Você conhece alguma religião que diga que Jesus não é o Filho de Deus nem Deus (a Segunda Pessoa da Trindade), que Deus não teve um filho, e, além disso, que nega completamente a Santíssima Trindade? Existe uma religião assim: o Islamismo.

Veja o que diz o Alcorão, livro sagrado da religião islâmica:

“Ó adeptos do Livro, não exagereis em vossa religião e não digais de Deus senão a verdade. O Messias, Jesus, filho de Maria, foi tão-somente um mensageiro de Deus e Seu Verbo, com o qual Ele agraciou Maria por intermédio do Seu Espírito. Crede, pois, em Deus e em Seus mensageiros e digais: Trindade! Abstende-vos disso, que será melhor para vós; sabei que Deus é Uno. Glorificado seja! Longe está a hipótese de ter tido um filho. A Ele pertence tudo quanto há nos céus e na terra, e Deus é mais do que suficiente Guardião.” (Alcorão 4:171)

São blasfemos aqueles que dizem: Deus é o Messias, filho de Maria. Dize-lhes: Quem possuiria o mínimo poder para impedir que Deus, assim querendo, aniquilasse o Messias, filho de Maria, sua mãe e todos os que estão na terra? Só a Deus pertence o reino dos céus e da terra, e tudo quanto há entre ambos. Ele cria o que Lhe apraz, porque é Onipotente.” (Alcorão 5:17)

São blasfemos aqueles que dizem: Deus é um da Trindade!, portanto não existe divindade alguma além do Deus Único. Se não desistirem de tudo quanto afirmam, um doloroso castigo açoitará os incrédulos entre eles.” (Alcorão 5:73)

O Messias, filho de Maria, não é mais do que um mensageiro, do nível dos mensageiro que o precederam; e sua mãe era sinceríssima. Ambos se sustentavam de alimentos terrenos, como todos. Observa como lhes elucidamos os versículos e observa como se desviam.” (Alcorão 5:75)

“Dize: Ele é Deus, o Único! Deus! O Absoluto! Jamais gerou ou foi gerado! E ninguém é comparável a Ele!” (Alcorão 112:1-4)

Os muçulmanos dizem acreditar em Jesus. Mas eles não creem nEle do mesmo modo que os cristãos. Enquanto que a Bíblia diz que Jesus é o Filho de Deus (Mt 27:54; Mc 1:1; Lc 8:28; Jo 20:31; At 9:20; 1 Co 1:9; 2Co 1:19; etc.) e o próprio Deus, a Segunda Pessoa da Trindade (Is 9:6; Jo 1:1-18; 1Jo 5:20; 2 Pe 1:1; Rm 9:5; Fp 2:5-8; Tt 2:13; 1Tm 3:16; etc.), o Alcorão diz que Deus (Allah) não gerou – ou seja, não teve filho (Alcorão 112:3), que Jesus não é Filho de Deus (Alcorão 4:171; 5:17, 73), nem Deus – a segunda Pessoa da Trindade (Alcorão 5:17) e que a Trindade Cristã é uma blasfêmia (Alcorão 4:171).

Além disso, segundo a crença Islâmica, Jesus nunca morreu na cruz pelos pecados da humanidade. O Alcorão especificamente nega que Jesus tenha sido crucificado ou que tenha experimentado a morte (Alcorão 4:157).

Muçulmanos acreditam que após Allah milagrosamente ter libertado Jesus da morte, Ele subiu vivo ao céu (Alcorão 3:54-55; 4:157-158). Desde então, creem os muçulmanos, Jesus permaneceu com Allah e está esperando sua oportunidade para retornar à Terra para terminar seu ministério e completar sua vida. Assim, Jesus não era de jeito nenhum o “salvador”. Para os muçulmanos, Jesus “foi tão-somente um mensageiro de Allah” (Alcorão 4:171), “ele não é mais do que um servo [de Allah]” (Alcorão 43:59), “o Messias, filho de Maria, não é mais do que um mensageiro, do nível dos mensageiros que o precederam” (Alcorão 5:75). Então, para os muçulmanos, Jesus é apenas um profeta de Allah e seu escravo (Alcorão 5:75; 19:30).

A religião islâmica cumpre perfeitamente aquilo que João diz sobre o Anticristo (o líder que nega o Pai e o Filho) e os anticristos (os seguidores da falsa religião – os muçulmanos – que negam o Pai e o Filho). Além disso, eles são os únicos que matam por decapitação aqueles que dizem o contrário. João disse que os mártires do fim dos tempos foram decapitados (Apocalipse 20:4), e o Alcorão manda matar os cristãos por decapitação, e é, de fato, o que eles fazem:

“E de quando o teu Senhor revelou aos anjos: Estou convosco; firmeza, pois, aos fiéis! Logo infundirei o terror nos corações dos incrédulos; decapitai-os e decepai-lhes os dedos!” (Alcorão 8:12)

Os muçulmanos estão esperando a chegada de uma figura conhecida como Mahdi, o “Messias” muçulmano, que irá liderar uma revolução global e estabelecerá um império islâmico em todo o mundo. O Mahdi governará a Terra como o Califa final do Islã (um califa é tanto um governante político quanto um representante espiritual de Deus – Allah –  na Terra).

Esse Mahdi se enquadra perfeitamente naquilo que a Bíblia diz ser o Anticristo do fim dos tempos. Os paralelos entre o Anticristo bíblico e o Mahdi do Islã são de arrepiar. Ambos estão associados com o fim dos tempos e ao julgamento. É dito que ambos possuem poder político, militar e religioso, e serão os cabeças de uma religião mundial. O Mahdi irá forçar todas as pessoas não-muçulmanos a se converterem ao Islã. Como o Anticristo, o Mahdi irá estabelecer Jerusalém como sua capital, a partir da qual ele vai governar a Terra.


Vamos conhecer um pouco sobre o “Mahdi” e o que ele fará quando se manifestar:

Em Árabe, al-Mahdi significa “O Guiado”1. Ele é referido também às vezes pelos muçulmanos Xiitas como Sahib Al-Zaman ou Al-Mahdi al-Muntadhar que traduzido significa “O Senhor da Era” e “O Guiado O Esperado”. O Mahdi é o primeiro dos Grandes Sinais do fim do mundo. Isto é confirmado por Ibn Kathir, o renomado estudioso muçulmano do século oitavo:

“Após os sinais menores da Hora aparecerem e crescerem, a humanidade terá alcançado um estágio de grande sofrimento. Então o esperado Mahdi aparecerá; Ele é o primeiro do mais claro dos sinais da Hora.”2

A chegada do Mahdi é o elemento central que coroa todas as narrativas de Fim dos Tempos Islâmicas. De acordo com Shaykh Muhammad Hisham Kabbani, chairman do Conselho Supremo Islâmico da América:

“A chegada do Mahdi é uma doutrina estabelecida para ambos Muçulmanos Sunitas e Xiitas, e de fato para toda humanidade.3

Aiatolá Baqir al-Sadr e Aiatolá Murtada Mutahhari, ambos estudiosos muçulmanos Xiitas, descrevem, em seu livro The Awaited Savior (O Salvador Esperado), o Mahdi dessa maneira:

“Uma figura mais lendária que a do Mahdi, o Salvador Esperado, nunca foi visto na história da humanidade. Os fios dos eventos mundiais têm tecido um belo desenho na vida humana, mas o padrão do Mahdi está muito acima de qualquer outro padrão. Ele tem sido a visão dos visionários na história. Ele tem sido o sonho de todos os sonhadores do mundo. Para a definitiva salvação da humanidade ele é a Estrela Polar da esperança na qual os olhares da humanidade estão fixos… Na busca pela verdade sobre o Mahdi não há distinção de casta, credo ou país. A busca é universal. Ele se firma resplandecente muito acima das estreitas muralhas nas quais a humanidade é cortada e dividida. Ele pertence a todo mundo. Para tudo isso e muito mais, o que é exatamente o Mahdi? Certamente essa é a grande questão a qual as mentes pensantes de todo o mundo gostariam de perguntar.” 4

De fato, quem é este “esperado” que o mundo Islâmico anseia, e o que é isso que ele faz que todos fiquem em tal estado de antecipação? É o que veremos agora!

Mahdi

O Messias do Islã

Na terminologia mais simples, o Mahdi é o Messias do Islã, ou Salvador. Enquanto os termos “Messias” e “Messianismo” tem uma clara raiz Judaico-Cristã, o professor da Universidade de Virgínia Abdulaziz Abdulhussein Sachedina concorda que estes termos são usados apropriadamente no contexto Islâmico quando se referem ao Mahdi. Em seu trabalho acadêmico no assunto, Messianismo Islâmico, Sachedina elabora assim:

“O termo ‘messianismo’ no contexto Islâmico é frequentemente usado para traduzir o importante conceito de uma figura escatológica, o Mahdi, que é o líder preordenado que ‘surgirá’ para lançar uma grande transformação social com o objetivo de restaurar e ajustar todas as coisas debaixo da orientação divina. O messias Islâmico, assim, personifica as aspirações de seus seguidores na restauração da pureza da Fé que trará a verdade e incorruptível orientação a toda a humanidade, criando uma ordem social justa e um mundo livre da opressão na qual a revelação Islâmica será a norma para todas as nações.”5

Assim é justo dizer que o “surgimento” do Mahdi é, para maioria dos muçulmanos, o que é o retorno de Jesus para os cristãos. Enquanto cristãos esperam o retorno de Jesus, o Messias, muçulmanos esperam pelo aparecimento do Mahdi, para cumprir estes propósitos. O Xeque Kabbani da mesma forma identifica o Mahdi como a figura messiânica primária do Islã:

“Judeus esperam pelo Messias, cristãos esperam por Jesus, e muçulmanos esperam por ambos, Mahdi e Jesus. Todas as religiões os descrevem como homens vindo para salvar o mundo.”6

Um Homem da Família de Maomé

A primeira e mais frequentemente citada crença Islâmica relacionada ao Mahdi é a tradição que determina que o Mahdi descenderá da família de Maomé e carregará seu nome:

“O mundo não passará até que um homem dentre a minha família, cujo nome será meu nome, reine sobre os árabes.”7

“O Profeta disse: O Mahdi será da minha família, da descendência de Fatimah [filha de Maomé].”8

Um Líder Universal para Todos os Muçulmanos

Por todo o mundo Islâmico de hoje há um clamor pela restauração do Califado Islâmico. O Califa (Khalifa) no Islã pode ser visto como o Papa dos Muçulmanos. O Califa é visto como o Vice-regente de Alá na Terra. É importante entender que quando os muçulmanos clamam pela restauração do Califado, é justamente pelo Mahdi que eles estão clamando, porque o Mahdi é o último Califa esperado do Islã. Desse modo, muçulmanos em toda parte são obrigados a seguir o Mahdi:

“Se você o ver, vá e dê-lhe sua fidelidade, mesmo se você tiver que rastejar sobre o gelo, porque ele é o Vice-regente (Khalifa) de Alá, o Mahdi.”9

“Ele pavimentará o caminho e estabelecerá o governo da família [ou comunidade] de Maomé… Todo crente será obrigado a apoiá-lo.”10

O Governante do Mundo

O Mahdi é esperado para ser o futuro líder mundial muçulmano que irá não apenas governar sobre o mundo Islâmico, mas também sobre o mundo não-muçulmano. O Mahdi irá liderar uma revolução mundial que estabelecerá uma nova ordem mundial islâmica por toda a Terra:

“O Mahdi estabelecerá direito e justiça no mundo e eliminará o mal e a corrupção. Ele lutará contra os inimigos dos muçulmanos que seriam vitoriosos.”11

“Ele reaparecerá no dia marcado, e então ele lutará contra as forças do mal, liderando uma revolução mundial e estabelecerá uma nova ordem mundial baseada na justiça, retidão e virtude… por último o justo tomará a administração do mundo em suas mãos e o Islã será vitorioso sobre todas as religiões.”12

Os meios e métodos do Mahdi de cumprir essa revolução mundial incluirão campanhas militares múltiplas ou guerras santas (jihad). Enquanto alguns muçulmanos creem que a maioria dos não-muçulmanos do mundo irão se converter ao Islã pacificamente durante o reinado do Mahdi, a maioria das tradições mostram os não-muçulmanos vindo ao Islã como resultado de serem conquistados pelo Mahdi. Abduallrahman Kelani, autor de The Last Apocalipse (O Último Apocalipse), descreve as muitas batalhas do Mahdi:

“Al-Mahdi receberá a promessa de fidelidade como califa para os muçulmanos. Ele irá liderar muçulmanos em muitas batalhas da jihad. Seu reino será um califado que seguirá a orientação do Profeta. Muitas batalhas acontecerão entre muçulmanos e infiéis durante o reino de Mahdi…”13

Até Harun Yahya, um moderado e muito popular autor muçulmano, se refere à invasão do Mahdi a numerosas terras não-muçulmanas:

“O Mahdi invadirá todos os lugares entre o Leste e o Oeste.”14

O Exército das Bandeiras Negras

A ascendência do Mahdi ao poder será precedida por um exército do leste que carregará bandeiras negras ou estandartes de guerra. Xeque Kabbani declara:

“Hadith indica que as bandeiras negras vindo da região de Khorasan significarão que o aparecimento do Mahdi está perto. Khorasan está hoje no Irã, e alguns estudiosos têm dito que esta Hadith significa que quando as bandeiras negras aparecerem da Ásia Central, e.g. na direção de Khorasan, então o aparecimento do Mahdi é iminente.”15

“Outra tradição declara: O Mensageiro de Alá disse: Os estandartes negros virão do Leste e seus corações serão firmes como ferro. Quem ouvir falar deles deve se juntar a eles e se submeter, mesmo se isso significar rastejar através da neve.”16

No Islã existem duas bandeiras: Uma é branca e a outra é preta. Escrito por ambas as bandeiras em árabe estão as palavras: “Não há deus senão Alá e Maomé é seu Mensageiro”. A bandeira branca é chamada Al-Liwaa e serve como sinal para o líder do exército muçulmano e é a bandeira do Estado Islâmico. A bandeira preta é chamada Ar-Raya e é usada pelo exército muçulmano. Também é chamada de “a bandeira da jihad”, e é carregada para a batalha. Uma bandeira é governamental e a outra é militar17. Quando Maomé retornou para Meca, sua cidade natal, após ser exilado por oito anos, ele voltou como conquistador. Com ele estavam dez mil soldados muçulmanos. Eles carregavam bandeiras negras. Nas bandeiras havia uma palavra escrita em árabe: punição.18

A Conquista de Israel

A tradição Islâmica mostra o Mahdi se juntando ao exército de guerreiros muçulmanos carregando bandeiras negras. O Mahdi, então, liderará este exército até Israel e o reconquistará para o Islã. Os judeus serão dizimados até restarem poucos e Jerusalém se tornará o local de governo do Mahdi sobre a Terra.

“Rasulullah [Maomé] disse: ‘Exércitos carregando bandeiras negras virão de Khurasan. Nenhum poder será capaz de pará-los e eles finalmente chegarão a Eela (Baitul Maqdas em Jerusalém) onde eles levantarão suas bandeiras.’”19

É importante notar aqui a referência a “Baitul Maqdas”. Em árabe, significa “a casa sagrada”. Isto é uma referência à Mesquita da Cúpula da Rocha, que está localizada no Monte do Templo, em Jerusalém.

De uma maneira particularmente venenosa, os autores egípcios Muhammad ibn Izzat e Muhammd’Arif comentam a tradição acima:

“O Mahdi será vitorioso e erradicará aqueles cães e porcos e ídolos desse tempo até que haverá novamente um califado baseado na profecia como declara o hadith… Jerusalém será o local do bem guiado califado e o centro do governo Islâmico, que será encabeçado pelo Imã al-Mahdi… Isso irá abolir a liderança dos Judeus… e colocar um fim à dominação dos Satãs que cospem o mal nas pessoas e causam corrupção na Terra, fazendo-os escravos de falsos ídolos e comandando o mundo com leis diferentes da Sharia [Lei Islâmica] do Senhor dos mundos.”20

Existe uma tradição muito famosa e frequentemente citada pelo mundo Islâmico que fala da campanha militar do Mahdi contra Israel:

“O Profeta disse… A última hora não viria sem os Muçulmanos lutarem contra os Judeus, e os Muçulmanos os matarão até que os Judeus se esconderão atrás de uma pedra ou uma árvore, e a pedra ou a árvore diriam: Muçulmano, ou o servo de Alá, aqui está um Judeu atrás de mim: venha e mate-o…”21

O Provedor Milagroso Que Será Amado Por Todos

Mahdi terá controle sobre o vento, a chuva e as plantações. Debaixo do governo dele, o mundo viverá em prosperidade. A tradição Islâmica relata que Maomé disse uma vez:

“Nos últimos dias da minha Ummah [comunidade Islâmica universal], o Mahdi aparecerá. Alá o dará poder sobre o vento e a chuva e a terra trará sua folhagem. Ele dará riquezas profusamente, rebanhos serão em abundância e a Ummah será grande e honrada…”22

“Nesses anos minha comunidade aproveitará um tempo de felicidade como eles nunca experimentaram antes. O Céu mandará chuva sobre eles em torrentes, e a terra não irá reter nenhuma de suas plantas, e riqueza estará disponível para todos. Um homem vai chegar e dizer, ‘Dê-me, Mahdi’ e ele dirá, ‘Pegue.’”23

Como resultado dos numerosos benefícios que o Mahdi trará, é dito que todos os habitantes da Terra serão possuídos por um profundo amor por ele:

“Alá irá semear amor por ele nos corações de todas as pessoas.”24

“Al-Mahdi aparece, todo mundo só fala dele, bebe do amor dele, e nunca fala sobre nada senão nele.”25

O Tempo do Reinado do Mahdi

Há mais de uma tradição em relação à natureza e ao tempo da ascendência do Mahdi ao poder. Mas há uma hadith (tradição islâmica) em particular que coloca o evento no momento de um acordo final de paz entre os árabes e os romanos (“romanos” deve ser interpretado se referindo aos cristãos, ou, mais genericamente, o Oeste). Apesar de esse acordo de paz ser feito com os “Romanos”, é dito que será mediado especificamente por um Judeu da linhagem sacerdotal de Arão. O acordo de paz será feito por um período de sete anos.

Rasulullah [Maomé] disse: ‘Haverá quatro acordos de paz entre você e os Romanos [Cristãos]. O quarto acordo será mediado por uma pessoa que será da progênie de Hadrat Haroon [Honrado Arão – irmão de Moisés] e será mantido por sete anos.’”26

Parece que o período destes sete anos de acordo de paz será o período do reinado do Mahdi. Existem poucas tradições que especificam que o seu reinado na Terra durará oito ou possivelmente nove anos, mas a maioria das tradições dizem que o tempo será de sete anos:

“O Profeta disse… Ele irá dividir a propriedade, e irá governar as pessoas pela Sunna de seu Profeta e estabelecerá o Islã na Terra. Ele irá permanecer por sete anos, e então morrer, e os muçulmanos orarão sobre ele.” 27

“O Profeta disse: O Mahdi… irá encher a Terra com equidade e justiça como era cheia de opressão e tirania, e ele irá governar por sete anos.”28

Al-Mahdi, o Cavaleiro no Cavalo Branco

Acredita-se que o Mahdi cavalgará um cavalo branco. Se isso é ou não simbólico ou literal é difícil dizer. Interessantemente, essa tradição é baseada na interpretação muçulmana das Escrituras Cristãs. Apesar do fato de os muçulmanos verem a Bíblia como tendo sido mudada e corrompida pelos judeus e cristãos, eles ainda clamam acreditar que algumas porções dos livros inspirados “originais” ainda podem ser achadas na Bíblia “corrompida”. Assim, existe uma tradição dentre a sabedoria Islâmica que tenta extrair essas porções da Bíblia que os muçulmanos acham que é intocada pela influência corrupta dos judeus e cristãos. Essas tradições Judaico-Cristãs são chamadas pelos muçulmanos de isra’iliyyat. Um desses transmissores da tradição bíblica é o estudioso muçulmano Ka’b al-Ahbar. Ele é tido entre os muçulmanos como um transmissor confiável da Hadith assim como da isra’iliyyat.29 Ka’b al-Ahbar é apoiado – em sua visão que a descrição do cavaleiro no cavalo branco, como achado no Apocalipse, é de fato o Mahdi – por dois autores egípcios bem conhecidos, Muhammad Ibn ‘Izzat e Muhammad ‘Arif em seu livro Al Mahdi and the End of Time (Al Mahdi e o Fim dos Tempos). ‘Izzat e ‘Arif citaram Ka’b al-Ahbar dizendo:

“Eu vejo o Mahdi registrado nos livros dos Profetas… Por exemplo, o Apocalipse diz: “E eu vi e contemplei um cavalo branco. Ele que estava sentado nele… veio adiante conquistando e para conquistar.”30

‘Izzat e ‘Arif dizem:

“É claro que este homem é o Mahdi que cavalgará o cavalo branco e julgará pelo Corão (com justiça) e com quem estarão homens com marcas de prostração em suas testas [Marcas em suas cabeças por se curvarem em oração com suas cabeças ao chão cinco vezes por dia].”31

Al-Mahdi, o Arqueólogo Milagroso

Em uma última e muito interessante série de tradições relativas ao Mahdi, encontramos que ele produzirá alguns ainda não descobertos manuscritos da Bíblia e mesmo a Arca da Aliança:

“Kab al-Ahbar diz: ‘Ele será chamado Mahdi porque ele guiará (yahdi) a algo escondido e encontrará a Torah e o Evangelho de uma cidade chamada Antioquia.’”32

“As-Suyuti mencionou no Al-Hawi que o mensageiro de Alá, que Alá o abençoe e lhe dê paz, disse, “ele é chamado o Mahdi porque ele guiará o povo a uma montanha na Síria de onde ele tirará os volumes da Torah para refutar os judeus. Nas mãos do Mahdi a Arca da Aliança será trazida adiante do Lago de Tiberias e tomada e colocada em Jerusalém.”33

“Ad-Dani disse que ele é chamado o Mahdi porque ele será guiado a uma montanha na Síria de onde ele extrairá os volumes da Torah que argumentarão contra os judeus e pelas suas mãos um grupo deles se tornará muçulmano.”34

Aparentemente, o propósito de achar essas porções “perdidas” do Antigo e Novo Testamentos, assim como a Arca da Aliança, é para ajudar o Mahdi a ganhar convertidos de ambos, Cristianismo e Judaísmo, antes de “erradicar” o remanescente que não se converterá ao Islã.

Vamos recapitular as várias características e ações do Mahdi, figura esperada por mais de 1,3 bilhões de muçulmanos na Terra:

  1. O Mahdi é a principal figura messiânica do Islã;
  2. Ele será descendente de Maomé e carregará o nome de Maomé (Muhammad bin Abdullah);
  3. Ele será um muçulmano bem devoto;
  4. Ele será um líder espiritual, político e militar mundial sem precedentes;
  5. Ele surgirá após um período de grande turbulência e sofrimento na Terra;
  6. Ele estabelecerá justiça e retidão pelo mundo e erradicará a tirania e a opressão;
  7. Ele será o Califa e o Imã (vice-regente e líder) dos muçulmanos em todo o mundo;
  8. Ele liderará uma revolução mundial e estabelecerá uma nova ordem mundial;
  9. Ele liderará uma ação militar contra todos aqueles que se opuserem a ele;
  10. Ele invadirá muitos países;
  11. Ele fará um tratado de paz de sete anos com um Judeu de uma linhagem sacerdotal;
  12. Ele conquistará Israel para o Islã e liderará os “fiéis muçulmanos” em um massacre/batalha final contra os judeus;
  13. Ele estabelecerá o novo quartel general Islâmico mundial em Jerusalém;
  14. Ele governará por sete anos (possivelmente oito ou nove);
  15. Ele fará com que o Islã seja a única religião praticada na Terra;
  16. Ele aparecerá cavalgando um cavalo branco (possivelmente simbólico);
  17. Ele descobrirá alguns previamente não descobertos manuscritos bíblicos que usará pra argumentar com os judeus e fará com que alguns deles se convertam ao Islã;
  18. Ele também irá redescobrir a Arca da Aliança do Mar da Galileia, e a trará para Jerusalém;
  19. Ele terá poderes sobrenaturais de Alá sobre o vento, a chuva e as plantações;
  20. Ele terá e distribuirá grandes quantias de riquezas;
  21. Ele será amado por todas as pessoas na Terra.

Agora que já conhecemos essa figura, vamos compará-la ao Anticristo bíblico e ver que são a mesma pessoa, tentando enganar os fiéis do Senhor Jesus Cristo.

João descreve o dragão (que é a “antiga serpente chamada diabo ou Satanás” – Apocalipse 12:9) entregando “o seu poder, o seu trono e grande autoridade” (Apocalipse 13:2) à “besta que sai do mar” (Apocalipse 13:1), que é o Anticristo. Então, o Anticristo será o agente humano principal de Satanás na Terra nos Últimos Dias.

Um Poderoso Líder Mundial Político e Militar

Nos Últimos Dias, o Anticristo surgirá como um homem que liderará um império mundial muito poderoso de um jeito que a história ainda não viu. Esse poderoso papel de liderança do Anticristo está primeiramente descrito claramente em Daniel 7, onde o Profeta descreve uma visão de quatro “bestas” muito bizarras e macabras. Após descrever as três primeiras bestas, Daniel diz isso da quarta:

“Na minha visão à noite, vi ainda um quarto animal, aterrorizante, assustador e muito poderoso. Tinha grandes dentes de ferro, com as quais despedaçava e devorava suas vítimas, e pisoteava tudo o que sobrava. Era diferente de todos os animais anteriores, e tinha dez chifres. Enquanto eu estava refletindo nos chifres, vi um outro chifre, pequeno, que surgiu entre eles; e três dos primeiros chifres foram arrancados para dar lugar a ele. Esse chifre possuía olhos como os olhos de um homem e uma boca que falava com arrogância.” (Daniel 7:7-8, NVI)

Então, nos versículos 15-16, Daniel pede a um anjo em sua visão para explicar a interpretação da visão das quatro bestas. O anjo explica que as quatro bestas representam quatro grandes reinos ou impérios:

“Eu, Daniel, fiquei agitado em meu espírito, e as visões que passaram pela minha mente me aterrorizaram. Então me aproximei de um dos que ali estavam e lhe perguntei o significado disso tudo. E ele me respondeu, dando-me a interpretação: ‘Os quatro grandes animais são quatro reinos que se levantarão na terra.’” (Daniel 7:15-17)

Daniel pergunta de novo ao anjo especificamente sobre a quarta besta, e, em particular, sobre o “chifre pequeno” que surgia dentre os três chifres. O anjo responde novamente de forma bem clara e direta:

“Ele me deu a seguinte explicação: ‘O quarto animal é um quarto reino que aparecerá na terra. Será diferente de todos os outros reinos e devorará a terra inteira, despedaçando-a e pisoteando-a. Os dez chifres são dez reis que sairão desse reino. Depois deles um outro rei se levantará, e será diferente dos primeiros reis.’” (Daniel 7:23-24)

Essencialmente, o anjo explica que o quarto reino será um império que causará grande destruição a toda a Terra. Inicialmente, este reino será constituído de dez reis. Então outro rei, um décimo-primeiro, surgirá e deporá três dos reis anteriores. Este décimo-primeiro rei é o Anticristo primeiramente referido por “o chifre pequeno”. Assim nós vemos que, baseado na visão que foi dada a Daniel, o Anticristo é um futuro rei que primeiro ganhará controle sobre três outros reinos ou nações, e eventualmente sobre dez, assim formando seu futuro império de dez nações da “Besta”. Será um império de poder e ferocidade sem comparação, que “devorará toda a Terra, pisando-a e esmagando-a”.

Na última parte do capítulo 7 de Daniel, o anjo descreve ao Profeta as ações desse rei e também o seu fim:

“Ele falará contra o Altíssimo, oprimirá os seus santos e tentará mudar os tempos e as leis. Os santos serão entregues nas mãos dele por um tempo, tempos e meio tempo. Mas o tribunal o julgará, e o seu poder será tirado e totalmente destruído para sempre.” (Daniel 7:25-26)

No Livro de Apocalipse, o apóstolo João descreve o Anticristo e seu império da “besta” em termos bem similares:

“Vi uma besta que saía do mar. Tinha dez chifres e sete cabeças, com dez coroas, uma sobre cada chifre, e em cada cabeça um nome de blasfêmia. A besta que vi era semelhante a um leopardo, mas tinha pés como os de urso e boca como a de leão. O dragão deu à besta o seu poder, o seu trono e grande autoridade. Uma das cabeças da besta parecia ter sofrido um ferimento mortal, mas o ferimento mortal foi curado. Todo o mundo ficou maravilhado e seguiu a besta. Adoraram o dragão, que tinha dado autoridade à besta, e também adoraram a besta, dizendo: ‘Quem é como a besta? Quem pode guerrear contra ela?’ À besta foi dada uma boca para falar palavras arrogantes e blasfemas, e lhe foi autoridade para agir durante quarenta e dois meses. Ela abriu a boca para blasfemar contra Deus e amaldiçoar o seu nome e o seu tabernáculo, os que habitam no céu. Foi-lhe dado poder para guerrear contra os santos e vencê-los. Foi-lhe dada autoridade sobre toda tribo, povo, língua e nação. Todos os habitantes da terra adorarão a besta, a saber, todos aqueles que não tiveram seus nomes escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a criação do mundo.” (Apocalipse 13:1-8)

Enquanto a linguagem simbólica aqui é bem densa, se entendermos o uso bíblico de particulares termos simbólicos, então o quadro está na verdade bem claro. A “besta”, novamente se refere ao Anticristo que é um rei sobre um império de dez nações. Os chifres representam autoridade e poder. Dez chifres denotam tanto um grau extremamente alto de autoridade quanto do número de nações e seus reis que se unirão para formar o reino da besta. O “dragão” que dá à besta sua autoridade é Satanás (Apocalipse 12:9).

As perguntas “Quem é como a besta? Quem pode guerrear contra ela?” sugerem que é absolutamente impossível de desafiar a besta. E, novamente, percebemos o mesmo período de tempo específico de quarenta e dois meses sendo dado à besta para perseguir o povo de Deus. Quarenta e dois meses são três anos e meio. Este mesmo período de tempo que foi dado previamente à passagem citada em Daniel 7:25 (“um tempo, tempos e meio tempo”).

Assim, concluímos que as profecias da Bíblia sobre o Anticristo dizem que ele será um líder político e militar, cujo poder será incomparável por nenhum outro líder mundial através da história.

O Mahdi como um Líder Mundial

Como vimos, as tradições Islâmicas e os estudiosos muçulmanos afirmam que o Mahdi, como o Anticristo, é também profetizado para ser um líder mundial político e militar sem paralelos com nenhum outro na história. É dito que o Mahdi vai “lutar contra as forças do mal, liderar uma revolução mundial e iniciar uma nova ordem mundial baseada na justiça, retidão e virtude”.35 De acordo com a tradição Islâmica, o Mahdi vai presidir sobre a Terra toda como o último Califa do Islã. E, é claro, os muçulmanos irão “tomar a administração do mundo em suas mãos e o Islã será vitorioso sobre todas as religiões”. Sem dúvida, o Islã vê o Mahdi como um cujo governo se estenderá sobre toda a Terra. Claramente, então, vemos que o Anticristo e o Mahdi são ambos descritos como sendo líderes político e militar de um modo que o mundo jamais viu.

O Anticristo como um Líder Espiritual Mundial

A Bíblia estabelece o fato de que o Anticristo será um líder espiritual cuja autoridade será reconhecida no mundo todo. Após examinar o papel do Anticristo como um líder religioso universal, muitos professores de profecias bíblicas falaram sobre a chegada da “Religião Mundial Única” ou “a falsa igreja” que o Anticristo criaria e aplicaria sobre toda a Terra. Este conceito de uma iminente religião mundial dominante e inspirada de forma demoníaca chegou parcialmente por causa das frequentes referências à adoração que é associada ao Anticristo na Escritura. No Livro de Apocalipse, lemos que o Anticristo irá ao mesmo tempo inspirar e exigir adoração. Esta adoração será dirigida à Satanás (o “dragão”) e ao Anticristo (a “besta”):

“Adoraram o dragão, que tinha dado autoridade à besta, e também adoraram a besta, dizendo: ‘Quem é como a besta? Quem pode guerrear contra ela?’ À besta foi dada uma boca para falar palavras arrogantes e blasfemas, e lhe foi autoridade para agir durante quarenta e dois meses. Ela abriu a boca para blasfemar contra Deus e amaldiçoar o seu nome e o seu tabernáculo, os que habitam no céu. Foi-lhe dado poder para guerrear contra os santos e vencê-los. Foi-lhe dada autoridade sobre toda tribo, povo, língua e nação. Todos os habitantes da terra adorarão a besta, a saber, todos aqueles que não tiveram seus nomes escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a criação do mundo.” (Apocalipse 13:4-8)

Além do fato de que o Anticristo estabelecerá um movimento de adoração mundial, outra razão para vê-lo como um líder espiritual mundial é por que a Bíblia diz que ele será assistido por um homem a quem se refere como “O Falso Profeta”. É claro, o próprio título Falso Profeta assume a natureza religiosa desse homem. Um dos papéis principais é especificamente realizar “sinais e maravilhas” enganadoras para persuadir os habitantes da Terra a adorar o Anticristo/Besta:

“Mas a besta foi presa, e com ela o falso profeta que havia realizado os sinais miraculosos em nome dela, com os quais ele havia enganado os que receberam a marca da besta e adoraram a imagem dela. Os dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre.” (Apocalipse 19:20)

Claramente, a Bíblia ensina que o Anticristo será um líder de um movimento de adoração religiosa mundial que tentará substituir e usurpar a adoração do Deus da Bíblia. Esta adoração será direcionada sobre ele mesmo e a Satanás.

O Mahdi como um Líder Espiritual Mundial

O Mahdi do Islã será também o líder de um movimento de adoração mundial. Será um movimento de adoração que procurará fazer com que qualquer um que pratique qualquer religião além do Islã a renunciar sua fé e adorar Alá, o deus do Islã. Como visto anteriormente, o Mahdi “governará as pessoas pela Suna de seu Profeta e estabelecerá o Islã na Terra”36 e “o Islã será vitorioso sobre todas as religiões”37.

Assim, vemos que o Mahdi é o líder de uma revolução mundial que instituirá uma “nova ordem mundial” que será baseada na religião do Islã, e só será permitido praticar essa religião. Tanto o Anticristo bíblico quanto o Mahdi tirarão a adoração do Deus da Bíblia e Seu Filho Jesus Cristo. Como vimos, inerente a adoração a Alá dentro do contexto do Islã é a negação direta do Deus da Bíblia e de Seu Filho Jesus Cristo. De fato, esta é a razão pela qual alguns muçulmanos dizem tão fortemente que o Mahdi irá “erradicar aqueles porcos e cães” – os cristãos e os judeus que se recusarem a se converter ao Islã. O que nos leva à próxima similaridade óbvia entre o Anticristo e o Mahdi.

A Campanha do Anticristo Direcionada contra Judeus e Cristãos

A Bíblia é muito clara ao dizer que Satanás, através do Anticristo, terá como alvo matar especificamente os judeus, primeiramente, e então os cristãos. No Livro de Apocalipse, capítulos 12 e 13, lemos outra passagem profética da Escritura que é rica em linguagem simbólica. Inicialmente é um pouco difícil entender, mas após os símbolos serem explicados, fica bem claro:

“Apareceu no céu um sinal extraordinário: uma mulher vestida do sol, com a lua debaixo dos seus pés e uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça.” (Apocalipse 12:1)

A “mulher” simbolicamente pintada aqui é a família ou nação de Israel, o povo judeu. Nós vemos que ela é coroada com doze estrelas. Isto representa os doze filhos de Israel que se tornam as doze tribos, que formam a família ou a nação de Israel (Gênesis 35:23-26).

“Ela estava grávida e gritava de dor, pois estava para dar à luz. Então apareceu no céu outro sinal: um enorme dragão vermelho com sete cabeças e dez chifres, tendo sobre as cabeças sete coroas. Sua cauda arrastou consigo um terço das estrelas do céu, lançando-as na terra. O dragão colocou-se diante da mulher que estava para dar à luz, para devorar o seu filho no momento em que nascesse. Ela deu à luz um filho, um homem, que governará todas as nações com cetro de ferro. Seu filho foi arrebatado para junto de Deus e de seu trono.” (Apocalipse 12:2-5)

A mulher – Israel – engravida e dá a luz a “um filho, um homem, que governará todas as nações com cetro de ferro”. Isto é uma clara referência a Jesus, o Messias Judeu (Veja Salmos 2:9). O Dragão mencionado aqui é identificado no versículo 9 como “a antiga serpente chamada Diabo, ou Satanás, que engana o mundo todo”. Vemos que Satanás deseja matar Jesus, mas Jesus é “arrebatado para junto de Deus e seu trono”. Esta é uma referência à ascensão de Jesus ao Céu após a ressurreição (Atos 1:8). Após isso:

“O grande dragão foi lançado fora. Ele é a antiga serpente chamada diabo ou Satanás, que engana o mundo todo. Ele e os seus anjos foram lançado à terra… Quando o dragão viu que havia sido lançado à terra, começou a perseguir a mulher que dera à luz o menino. Foram dadas à mulher as duas asas da grande águia, para que ela pudesse voar para o lugar que lhe havia sido preparado no deserto, onde seria sustentada durante um tempo, tempos e meio tempo, fora do alcance da serpente… O dragão irou-se contra a mulher e saiu para guerrear contra o restante da sua descendência, os que obedecem aos mandamentos de Deus e se mantêm fiéis ao testemunho de Jesus.” (Apocalipse 12:9, 13, 14, 17)

Satanás irou-se contra a mulher Israel e saiu para guerrear contra o restante da sua descendência, os judeus, e também contra os cristãos. Se formos ler o Alcorão, veremos que ele prega bastante ódio contra judeus e cristãos, chamando-os até mesmo de macacos e porcos, proibindo muçulmanos ter tomar qualquer um deles por confidente e até mesmo mandando matá-los (veja mais sobre isso clicando aqui).

A Campanha do Mahdi Direcionada Contra Judeus e Cristãos

A tradição Islâmica fala muito do chamado especial do Mahdi para converter cristãos e judeus ao Islã, enquanto fala muito pouco de conversões de outras religiões. Parece que converter cristãos e judeus ao Islã será o primeiro impulso evangelístico do Mahdi. A citação a seguir do Aiatolá Ibrahim Amini claramente articula essa visão:

“O Mahdi oferecerá a religião do Islã aos Judeus e Cristãos; Se eles aceitarem serão poupados, senão serão mortos.”38

E é claro que não podemos esquecer a infame Hadith que tem se tornado a favorita de muitos muçulmanos anti-Semitas. De novo, note que está falando especificamente da “Última Hora”:

“A última hora não viria sem os Muçulmanos lutarem contra os Judeus, e os Muçulmanos os matarão até que os Judeus se esconderão atrás de uma pedra ou uma árvore, e a pedra ou a árvore diriam: Muçulmano, ou o servo de Alá, aqui está um judeu atrás de mim: venha e mate-o; mas a árvore Gharqad não diria, pois essa é a árvore dos judeus.”39

Após comentarem essa Hadith em particular, muitos autores muçulmanos serão rápidos em apontar o bem “interessante” fato dessa árvore específica, “a Gharqad” (aparentemente a árvore-buxo) é hoje em dia plantada abundantemente por judeus em Israel. Isto, é claro, corresponde a outra similaridade bem específica entre o Anticristo bíblico e o Mahdi.

Um Ataque Militar Contra Israel e o Estabelecimento do Monte do Templo Como a Sede da Autoridade

A Bíblia ensina que o Anticristo, com sua coalizão multinacional, atacará Israel, e especificamente Jerusalém para conquistá-la:

“Você [Gogue – o nome dado por Ezequiel ao Anticristo] e todas as suas tropas e as muitas nações com você subirão, avançando como uma tempestade; você será como uma nuvem cobrindo a terra. Assim diz o Soberano Senhor: Naquele dia virão pensamentos à sua cabeça, e você maquinará um plano maligno. Você dirá: ‘Invadirei uma terra de povoados; atacarei um povo pacífico e que de nada suspeita, onde todos moram em cidades sem muros, sem portas e sem trancas. Despojarei, saquearei e voltarei a minha mão contra as ruínas reerguidas e contra o povo [Israelita] ajuntado de entre as nações, rico em gado e em bens, que vive no centro do mundo.’” ( Ezequiel 38:9-12)

“Deram-me um caniço semelhante a uma vara de medir, e me foi dito: ‘Vá e meça o templo de Deus e o altar, e conte os adoradores que lá estiverem. Exclua, porém, o pátio exterior; não o meça, pois ele foi dado aos gentios. Eles pisarão a cidade santa durante quarenta e dois meses.’” (Apocalipse 11:1-2)

De acordo com a Bíblia, após este ataque, o Anticristo irá especificamente estabelecer seu “trono” no “Templo de Deus”. O Apóstolo Paulo explica isso claramente:

“Este se opõe e se exalta acima de tudo o que se chama Deus ou é objeto de adoração, a ponto de se assentar no santuário de Deus, proclamando que ele mesmo é Deus.” (2 Tessalonicenses 2:4)

O local do Templo Judaico sempre foi no Monte Moriá em Jerusalém. Hoje, o Templo que uma vez esteve no Monte Moriá não existe; foi destruído pelo Imperador Romano Tito em 70 D.C., de acordo com a profecia de Jesus:

“Jesus saiu do templo e, enquanto caminhava, seus discípulos aproximaram-se dele para lhe mostrar as construções do templo. ‘Vocês estão vendo tudo isto?’, perguntou ele.’“Eu lhes garanto que não ficará aqui pedra sobre pedra; serão todas derrubadas’”. (Mateus 24:1-2)

Hoje, o Monte Moriá, algumas vezes chamado de Monte do Templo ou em árabe como Haram Ash-Sharif, é o local de duas mesquitas e é considerado como o terceiro local mais sagrado do Islã. Há uma especulação interminável sobre o Monte do Templo relativo a questões como exatamente onde era localizado o Templo Judaico no Monte ou se haverá ou não um Templo Judaico reconstruído no futuro. Baseado no versículo acima do Apóstolo Paulo, certamente parece indicar que de fato haverá um Templo Judaico reconstruído em Jerusalém. O Apóstolo Paulo diz que o Anticristo “irá se estabelecer no Templo de Deus”, ou mais literalmente, “ele tomará seu assento no Templo de Deus”. Isto não se refere tanto a um assento literal, mas de tomar uma posição de autoridade.

Assim, vemos que o Anticristo fará do Monte Moriá, mais especificamente do Templo Judaico reconstruído, o local específico do seu governo.

O Ataque do Mahdi a Jerusalém e o Estabelecimento do Califado Islâmico de Jerusalém

Da mesma forma, é dito que o Mahdi atacará Jerusalém e a reconquistará para o Islã, para que o novo governo Islâmico sobre a Terra seja estabelecido a partir de Jerusalém:

“(Exércitos carregando) bandeiras negras virão de Khurasan (Irã). Nenhum poder será capaz de pará-los e eles irão finalmente alcançar Eela (Cúpula da Rocha em Jerusalém), onde levantarão suas bandeiras.” 40

“Jerusalém será o local do bem encaminhado califado e o centro do governo Islâmico, que será encabeçado pelo Imã al-Mahdi…” 41

Além disso, como acabamos de ver acima, o Mahdi não terminará sua campanha em Jerusalém de maneira pacífica. Para os judeus, a versão Islâmica dos Últimos Dias termina com os poucos últimos se judeus escondendo da espada islâmica atrás de pedras ou árvores. A campanha militar contra Jerusalém e o estabelecimento do califado Islâmico lá, da mesma forma, não resultarão em um governo benevolente sobre os judeus pelo Mahdi, e pelo que já vimos, a última citação acima continua:

“… Isto irá abolir a liderança dos judeus… e colocará um fim à dominação dos Satãs que cospem o mal nas pessoas e causam corrupção na Terra.” 42

Em relação ao ataque contra os habitantes de Israel, há algo bem interessante, outra correlação bem específica entre as ações do Mahdi e as ações do Anticristo bíblico.

O Tratado do Anticristo de Sete Anos com Israel

Após subir ao poder, e como um prelúdio à sua invasão a Israel, o Anticristo iniciará um tratado com a nação de Israel por sete anos:

“Com muitos ele fará uma aliança que durará um ‘sete’. No meio do ‘sete’ ele dará fim ao sacrifício e à oferta. E numa ala do templo será colocado o sacrilégio terrível, até que chegue sobre ele o fim que lhe está decretado.” (Daniel 9:27)

Nesse contexto, este versículo nos mostra que o Anticristo estabelecerá uma “aliança” com Israel por sete anos. A palavra hebraica específica usada e traduzida meramente por “sete” é shabuwa, que literalmente significa uma semana, mas pode significar tanto uma “semana” de dias ou anos. Em hebraico, porém, um período de sete anos é similar à nossa década. Nós no Ocidente tendemos a medir anos através do sistema decimal baseado em desenvolvimento de dez, enquanto nós medimos semanas em desenvolvimento de sete, a palavra traduzida como “sete” em Daniel 9:27 se refere a sete anos. Esta é a quantidade de tempo específica do tratado de paz do Anticristo com Israel. Então, no meio dos sete anos (isto é, após três anos e meio ou quarenta e dois meses – Apocalipse 11:2), o Anticristo irá renegar este tratado e parar as ofertas e sacrifícios no Templo Judaico e então irá se autoproclamar não apenas ser o único governante do mundo, mas ser ele mesmo Deus. Isaías, o Profeta, faz menção dessa “aliança” e repreende Israel por fazê-la. Ele na verdade se refere a ela como “aliança com a morte” (Isaías 28:14-15). Nessa aliança, os israelitas têm uma falsa sensação de segurança.

O Tratado do Mahdi de Sete Anos com Israel

De novo, é dito que Mahdi iniciará o quarto e último tratado entre “os romanos” e os muçulmanos (novamente, romanos devem ser interpretados como cristãos ou o Ocidente em geral – os executores de Nicholas Berg em seu pronunciado pré-execução endereçado ao Presidente Bush como “Você, cão dos romanos”). Este quarto tratado será feito com um descendente do irmão de Moisés, Arão, o Sacerdote. Tal descendente seria um Cohanim. Isto quer dizer que ele seria um sacerdote. Apenas Cohanim são permitidos entre os judeus para desempenhar um sacerdócio no Templo. Isto é importante à luz do fato que muitos dos professores cristãos de profecias e teólogos especulam que o tratado que o Anticristo iniciará com Israel irá incluir um acordo que permitirá aos judeus reconstruírem seu Templo. Mas provavelmente o mais impressionante aspecto deste tratado que o Mahdi faz com este judeu de linhagem sacerdotal é seu prazo. O prazo específico dado para o tratado é exatamente o mesmo que o do tratado de paz do Anticristo – sete anos! Citando a Hadith que fala do surgimento e governo do Mahdi, Muhammad Ali ibn Zubair relata esta tradição:

“O Profeta disse: Haverá quatro acordos de paz entre você e os romanos. O quarto será mediado por uma pessoa que será da descendência de Hadrat Aaron (Honrado Arão, o irmão de Moisés) e será mantida por sete anos. As pessoas perguntaram: “Oh Profeta Maomé, quem irá o Imã (líder) do povo nesse tempo?” O Profeta disse: Ele será da minha descendência e terá exatamente quarenta anos de idade. Sua face brilhará como uma estrela…” 43

Mudando os Tempos e as Leis

Outra meta do Anticristo, de acordo com o Livro de Daniel, é que ele “tentará mudar os tempos e as leis”:

“Ele falará contra o Altíssimo, oprimirá os seus santos e tentará mudar os tempos e as leis. Os santos serão entregues nas mãos dele por um tempo, tempos e meio tempo.” (Daniel 7:25)

Esta é, na verdade, uma grande dica sobre a pessoa do Anticristo. Por suas ações, vemos uma dica de suas origens. É dito que ele desejará mudar duas coisas: tempos e leis. Agora já temos visto que o Mahdi irá mudar a lei ao instituir a lei Sharia Islâmica por toda a Terra, mas nós não vimos nenhuma evidência na leitura apocalíptica Islâmica dele mudando os “tempos”. A simples questão no entanto é: quem mais, além de um muçulmano, desejaria mudar os “tempos e as leis”? Além do calendário gregoriano usado no Ocidente, há também o calendário judaico, o hindu e o muçulmano, entre outros. Judeus ou hindus, entretanto, não são povos que desejariam impor suas leis religiosas ou calendários para o resto do mundo. O Islã, entretanto, tem suas próprias leis e seu próprio calendário, os quais desejariam impôr a todo o mundo. O calendário Islâmico é baseado na carreira de Maomé. Ele começa na migração (Hijra) de Maomé de Meca a Medina e é visto como sendo obrigatório, a ser observado por todos. Dr. Waleed Mahanna articula a posição Islâmica relativa ao Calendário “Hijra” Islâmico:

“É considerado um comando divino para usar o (Hijra) calendário com 12 (puramente) meses lunares sem intercalação, como é evidente pelo… Corão Sagrado” 44

Não somente o Islã vê como um imperativo divino o uso de um único calendário religioso, mas também tem sua própria semana. Ao contrário do ritmo ocidental da semana: segunda até sexta sendo o corpo dos dias úteis, seguido do sábado e domingo como o fim de semana, com o Judaísmo e o Cristianismo usando estes dois dias para os seus respectivos dias de adoração, o Islã tem a sexta como o dia sagrado de oração. Este é o dia que os muçulmanos se encontram nas mesquitas para orar e ouvir um sermão.

Assim, é bem plausível que a referência bíblica do Anticristo que “tentará mudar os tempos e as leis” é um muçulmano. Enquanto olhamos para o quadro completo, apenas o Islã se encaixa no projeto de um sistema que tem próprio calendário e semana baseados em sua própria história religiosa e um claro sistema de leis que deseja impôr a toda Terra. Certamente se um muçulmano surge e é poderoso como o Mahdi é descrito como sendo, então ele certamente tentará instituir a Lei Islâmica pelo mundo, e também o calendário islâmico.

O Cavaleiro no Cavalo Branco

A última similaridade entre o Anticristo e o Mahdi é o fato de que ambos são identificados com uma passagem bíblica que descreve um cavaleiro em um cavalo branco. Embora isso pudesse ser literal, é mais provável que seja um quadro simbólico dos dois homens. O incrível é que a origem da tradição bíblica do Anticristo em um cavalo branco e a origem da tradição Islâmica do Mahdi em um cavalo branco são ambas atribuídas à mesma passagem da Bíblia.

A base para o quadro simbólico de ambos no cavalo branco é o sexto capítulo do Livro de Apocalipse. Aqui o Apóstolo João está descrevendo sua visão do desenrolar dos eventos que marcam o começo do Fim dos Tempos. O quadro é de Jesus segurando um pergaminho – do lado de fora do pergaminho existem sete selos. Enquanto cada selo é aberto um específico e distinto evento do Fim dos Tempos é liberado:

“Observei quando o Cordeiro abriu o primeiro dos sete selos. Então ouvi um dos seres viventes dizer com voz de trovão: ‘Venha!’ Olhei, e diante de mim estava um cavalo branco! Seu cavaleiro empunhava um arco, e foi-lhe dada uma coroa; ele cavalgava como vencedor determinado a vencer.” (Apocalipse 6:1-2)

Os selos que seguem este cavaleiro são:

  1. Paz é tirada da Terra;
  2. Fome;
  3. Pragas e morte;
  4. Perseguição e martírio do povo de Deus;
  5. Um grande terremoto;
  6. A ira de Deus.

Então vemos que após o cavaleiro aparecer na cena, o mundo essencialmente cai em queda livre no caos que define a Última Hora. A interpretação que muitos estudiosos da Bíblia aplicam a essa passagem é assim:

Ao cavaleiro é dado um cavalo branco, que é uma tentativa de imitar o cavalo branco que Jesus cavalgará quando retornar (Apocalipse 19:11). Assim, o cavaleiro é uma imitação de Cristo, um impostor – um Anticristo. O arco (sem nenhuma flecha) que o cavaleiro carrega é uma falsa paz. O cavaleiro é pintado como quem emerge carregando, com seu surgimento ao poder, uma falsa promessa de paz. Isto pode ser uma referência direta ao tratado de falsa paz que o Anticristo fará com Israel no começo do período de sete anos de seu governo. A coroa em sua cabeça é, obviamente, uma referência à posição de autoridade e liderança que será dada a ele. E a verdadeira motivação e inclinação do cavaleiro é conquistar. À luz da identidade e atividade do cavaleiro, os eventos que seguirão seu surgimento à cena mundial não estão de acordo com uma era de paz, mas ao invés disso uma era de caos apocalíptico. Aparentemente, este não é um problema para os estudiosos Islâmicos que geralmente adotam uma escolha bem arbitrária de abordagem da Bíblia. Vendo o Anticristo no cavalo branco como uma coroa e conquistando, estudiosos muçulmanos veem um quadro óbvio do Mahdi. Os primeiros transmissores muçulmanos de Hadith, Ka’b al Ahbar é citado dizendo:

“Eu vejo o Mahdi registrado nos livros dos Profetas… Por agora, o Livro do Apocalipse diz: ‘E eu vi e eis um cavalo branco. Ele que estava sentado nele… foi avante conquistando e para conquistar.’” 45

Então, vemos que muitos dos mais únicos e distintos aspectos da pessoa, missão e ações do Anticristo bíblico correspondem em um grau impressionante às descrições do Mahdi como vistas nas tradições Islâmicas. E agora, ainda mais, vemos que estudiosos muçulmanos efetivamente aplicam versículos bíblicos sobre o Anticristo a seu esperado salvador, o Mahdi. Isto deve ser visto como um tanto irônico, senão inteiramente profético.


Conclusão

Não há nenhuma dúvida: os muçulmanos estão se preparando para aceitar o Mahdi como seu líder – e essa figura é indistinguível do líder do mundo que conhecemos como o Anticristo.

“Feliz aquele que lê as palavras desta profecia e felizes aqueles que ouvem e guardam o que nela está escrito, porque o tempo está próximo.” (Apocalipse 1:3)

Maranata (Vem, Senhor)!

O livro do Apocalipse fala também sobre o Falso Profeta, que só pode ser o falso Jesus do Islamismo. Veja sobre isso clicando aqui.


Notas:

1 Xeque Muhammad Hisham Kabbani, The Approach of Armageddon? An Islamic Perspective [A Aproximação do Armagedom? Uma Perspectiva Islâmica] (Canadá, Conselho Muçulmano Supremo da América, 2003), p. 228.

2 Ibn Kathir, The Signs Before the Day od Judgement [Os Sinais Antes do Dia do Julgamento] (Londres, Dar Al-Taqwa, 1991), p. 18.

3 Kabbani, p. 228.

4 Aiatolá Baqir al-Sadr e Aiatolá Muratda Mutahhari, The Awaited Savior [O Esperado Salvador] (Karachi, Publicações do Seminário Islâmico), prólogo, p. 1.

5 Abdulaziz Abdulhussein Sachedina, Islamic Messianism, The Idea of the Mahdi in Twelver Shi’ism [Messianismo Islâmico, a Ideia do Mahdi no Xiismo Duodecimano] (Albany, State University of New York, 1981), p. 2.

6 Kabbani, p. 229.

7 Tirmidhi Sahih, Sunan Abu Dawud, (Sahih), Vol. 5, p. 207; também Narrado por Ali-b. Abi Talib, Abu Sa’id, Umm Salma, Abu Hurayra.

8 Sunan Abu Dawud, Livro 36, Número 4271 Narrado por Umm Salamah, Ummul Um’minin.

9 Ibn Maja, Kitab al-Fitan #4084 como citado por Kabbani, p.231.

10 Sunan Abu Dawud, Narrado por Umm Salamah, Ummul Um’minin

11 Sideque M.A. Veliankode, Doomsday Portents and Prophecies [Os Prodígios e Profecias do Dia do Julgamento] (Scarborough, Canadá, 1999) p. 277.

12 Al-Sadr e Mutahhari, prólogo, pp. 4-5.

13 Abdulrahman Kelani, The Last Apocalipse, An Islamic Perspective [O Último Apocalipse, Uma Perspectiva Islâmica], (Fustat, 2003), pp. 34-35.

14 Ibn Hajar al-Haythami, Al-Qawl al Mukhtasar fi’ Alamat al-Mahdi alMuntazar, p. 50 como citado por Harun Yahya, The End Times and the Mahdi [O Fim dos Tempos e o Mahdi] (Clarkesville Katoons, 2003), p. 96.

15 Kabbani, p. 231.

16 Abu Nu’aym e As-Suyuti, relatado por Thawban, como citado por Izzat e Arif, p. 44.

17 Flags of Islamic State [Bandeiras do Estado Islâmico], http://www.islamicstate.org/resources/flags-of-the-islamic-state.html

18 Ibn Kathir, The Beginning and the End, vol.2, pt. 3, p. 288 como citado por Mark A. Gabriel, Jesus and Muhammad [Jesus e Maomé] (Lake Mary, Charisma house, 2004), p. 60.

19 Tirmidhi como citado por Mohammed Ali Ibn Zubair Ali, Signs of Qiyama [Sinais da Qiyamah] (Islamic Book Service, Nova Déli, 2004), p. 42 e Prof. M. Abdullah, Islam, Jesus, Mehdi, Qadiyanis and Doomsday [Islã, Jesus, Mehdi, Qadiyanis e o Dia do Julgamento], (Adam, Nova Déli, 2004), p. 54.

20 Izzat e Arif, p. 40.

21 Sahih Muslim Livro 041, Número 6985.

22 Sahih Hakim Mustadrak, relatado por Abu Sa’id al-Khudri (4:557 e 558), como citado por Kabbani p. 233.

23 At-Tabarani, relatado por Abu Hurayra, como citado por ‘Izzat e ‘Arif, p. 9.

24 El-Kaviu’l Muhtasar Fi Alamet-il Mehdiyy-il Muntazar, como citado por Harun Yahya, http://www.endoftimes.net/08mahdiandtheendtimes.html

25 Al-Burhan fi Alamat al-Mahdi Akhir Al-Zaman, como citado por Harun Yahya, http://www.endoftimes.net/08mahdiandtheendtimes.html

26 Tabarani, como relatado por Hadrat Abu Umamah, como citado por Zubair Ali, p. 43 e Abdullah, p. 55.

27 Sunan Abu Dawud, Livro 36, Número 4273, Narrado por Umm Salamah, Ummul Um’minin.

28 Sunan Abu Dawud, Livro 36, Número 4272, Narrado por Abu Sa’id al-Khudri.

29 M S M Saifullah, Muhammad Ghoniem, Abu Hudhayfah & Khalid al-Khazraji, On The Transmitters Of Isra’iliyyat (Judeo-Christian Material) [Nos Transmissores da Isra’iliyyat (Material Judaico-Cristão)] http://www.islamic-awareness.org/Hadith/Ulum/israel.html

30 Izzar e Arif, p. 15.

31 Idem, p. 15.

32 Izzat e Arif, p. 40.

33 Idem, p. 16.

34 Idem, p. 16.

35 Aiatolá Baqir al-Sadr e Aiatolá Muratda Mutahhari, The Awaited Savior [O Esperado Salvador], (Karachi Islamic Seminary Publications), prólogo, pp. 4,5.

36 Sunan Abu Dawud , Livro 36, Número 4273, narrado por Umm Salamah, Ummul Um’minin.

37 Al-Sadr e Mutahhari, prólogo, pp. 4,5.

38 Izzat e ‘Arif, p.16.

39 Sideeque M.A. Veliankode, Doomsday Portentes and Prophecies [Prodígios e Maravilhas do Juízo Final] (Scarborough, Canadá, 1999) p. 358.

40 Aiatolá Ibrahim Amini, Al-Imam Al-Mahdi: The Just Leader of Humanity [Al-Imã Al-Mahdi: O Líder Justo da Humanidade], traduzido [para o inglês] por Dr. Abdulaziz Sachedina, disponível online em http://al-islam.org/mahdi/nontl/Toc.htm

41 Sahih Muslim, Livro 041, Número 6985.

42 Sinais de Qiyamah por Mohammed Ali Ibn Zubair Ali traduzido [para o inglês] por M. Afzal Hoosein Elias do original (com referências): “Aalalaat-e-Qiyyamat aur nuzul-e-Eesa”. http://members.cox.net/arshad/qiyaama.html

43 Izzat e ‘Arif, p. 40.

44 Idem.

45 Tabarani como citado por Mufri A. H. Elias e Muhammad Ali ibn Zubair Ali, Imam Mahdi, artigo online de http://www.islam.tc/prophecies/imam. html

Algumas informações foram retiradas dos capítulos 4 e 5 do livro “Anticristo: O Messias esperado pelo Islã”, de Joel Richardson.

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