O sacrifício de Jesus e Deuteronômio 24:16 e Ezequiel 18:4

Refutaremos agora a imagem abaixo:

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“Os pais não serão mortos em lugar dos filhos, nem os filhos em lugar dos pais; cada um morrerá pelo seu próprio pecado.” (Deuteronômio 24:16)

“Pois todos me pertencem. Tanto o pai como o filho me pertencem. Aquele que pecar é que morrerá.” (Ezequiel 18:4)

Jeremias 31:29-30 diz algo semelhante: “Naqueles dias não se dirá mais: ‘Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos se mancharam’. Ao contrário, cada um morrerá por causa do seu próprio pecado. Os dentes de todo aquele que comer uvas verdes se mancharam.”

Muitos ateus, judeus e muçulmanos têm usado esses textos para negar que Jesus tenha se sacrificado pelos pecados da humanidade. Mas a pergunta é: O que esses textos têm a ver com Jesus? É o que vamos ver agora.

Nesses textos, Deus determinou que os pais não morrerão pelos pecados dos filhos nem os filhos pelos pecados dos pais. Deus está dizendo simplesmente que se um homem pratica a iniquidade, mas seu filho não, somente ele (o pai) morrerá –  o filho, não. E se o filho pratica a iniquidade, mas o pai não, somente o filho morrerá –  o pai, não. Cada um deve morrer pelo seu próprio pecado. (Leia todo o capítulo 18 de Ezequiel, onde isso é explicado muito bem.)

As pessoas que usam esse mandamento com o intuito de negar o sacrifício de Jesus, feito por causa do pecado da humanidade (Jo 3:16; 1Jo 2:2; etc.), acabam contradizendo a própria Escritura, pois eram oferecidos animais para a expiação do pecado do povo (Cf. Levítico 1). Assim, poderíamos perguntar: “Já que ninguém pode morrer pelos pecados dos outros, por que animais eram mortos por causa do pecado do povo? Foi o povo quem transgrediu, então todos deveriam morrer, e não os animais.” Mas como já vimos, o que esses textos (Dt 24:16; Ez 18:4 e Jr 31:29-30) querem dizer não é que ninguém pode morrer pelos pecados dos outros, mas simplesmente que um filho não morrerá junto com o pai, quando somente o pai pecou, e vice-versa.

Poderíamos perguntar ainda o significado destas palavras do profeta Isaías:

Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos. Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca. Da opressão e do juízo foi tirado; e quem contará o tempo da sua vida? Porquanto foi cortado da terra dos viventes; pela transgressão do meu povo ele foi atingido. E puseram a sua sepultura com os ímpios, e com o rico na sua morte; ainda que nunca cometeu injustiça, nem houve engano na sua boca. Todavia, ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias; e o bom prazer do Senhor prosperará na sua mão. Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniquidades deles levará sobre si.” (Isaías 53:4-11, ACF).

Qual o cenário que temos aqui? Uma pessoa que nunca cometeu injustiça, nem de sua boca saiu engano algum, sendo afligida e levada ao matadouro como um cordeiro, para morrer por causa da transgressão do povo, pois Deus fez cair sobre Ele a iniquidade de todos nós. Mesmo se a pessoa acredita erroneamente que Isaías 53 se refere à Israel (nós já escrevemos sobre isso no blog. Veja: O Servo Sofredor de Isaías 53), nós temos aqui um cenário que contradiz a interpretação de que por causa de Dt 24:16, Ez 18:4 e Jr 31:29-30 Jesus não pode ser o Messias que se sacrificou por nós, pois vemos alguém inocente, sem engano algum em sua boca, carregando a culpa dos injustos.

Deuteronômio 24:16, Ezequiel 18:4 e Jeremias 31:29-30 não têm nada a ver com carregar a culpa sobre si para interceder pelos outros, e não têm nada a ver com alguém sendo, de certa forma, provado e exaltado para interceder pelos que erram. Como já foi dito, esses textos dizem apenas que o filho não pode ser condenado à morte por causa de seu pai e vise-versa.

Leia este relato de 2 Crônicas 25:1-4: “Amazias tinha vinte e cinco anos de idade quando começou a reinar, e reinou vinte e nove anos em Jerusalém. O nome de sua mãe era Jeoadã; ela era de Jerusalém. Ele fez o que o Senhor aprova, mas não de todo o coração. Quando sentiu que tinha o reino sob pleno controle, mandou executar os oficiais que haviam assassinado o rei, seu pai. Contudo, não matou os filhos dos assassinos, de acordo com o que está escrito na Lei, no livro de Moisés [Deuteronômio 24:16], onde o Senhor ordenou: ‘Os pais não morrerão no lugar dos filhos, nem os filhos no lugar dos pais; cada um morrerá pelo seu próprio pecado.’” (NVI)

Neste texto está muito claro o objetivo desse mandamento, e não tem nenhuma relação oposta com Isaías 53 e o sacrifício de Jesus.

Mas se os muçulmanos insistem que esses textos negam o sacrifício de Jesus, e que, segundo o Islã, cada um vai pagar pelos próprios pecados e que isso é mais justo, eles estão MENTINDO (a Taqiyya permite mentir para propagar o Islamismo), pois Maomé ensinou a seus seguidores que Allah vai punir os judeus e os cristãos pelos pecados dos muçulmanos.

Vejamos os textos islâmicos que dizem isso:

“Abu Musa informou que o Mensageiro de Allah disse: ‘Quando chegar o Dia da Ressurreição, Allah entregará a todos os muçulmanos um judeu ou um cristão e dirá: Esse é o seu resgate do Fogo do Inferno.’” (Sahih Muslim 6665)

“O apóstolo de Allah disse: ‘Nenhum muçulmano morrerá, mas Deus admitirá em seu lugar um judeu ou um cristão no Fogo do Inferno.’” (Sahih Muslim 6666)

“O Mensageiro de Deus [disse]: ‘Seriam pessoas entre os muçulmanos no Dia da Ressurreição com pecados pesados ​​como uma montanha, e Allah os perdoaria e Ele colocaria em seu lugar os judeus e os cristãos.’” (Sahih Muslim 6668)

“O Mensageiro de Allah disse: ‘No Dia da Ressurreição, minha Ummah (nação) será reunida em três grupos. Um grupo entrará no Paraíso sem render um relato (de seus atos). Outro grupo contará um relato fácil e será admitido no Paraíso. Mais um outro grupo virá trazendo sobre suas costas montes de pecados como grandes montanhas. Allah perguntará aos anjos que sabem melhor sobre eles: Quem são essas pessoas? Eles responderão: São humildes escravos seus. Ele dirá: Descarregue os pecados deles e coloque os mesmos sobre os judeus e os cristãos: Então, os humildes escravos entrarão no Paraíso em virtude de Minha Misericórdia.’” (110 Hadith Qudsi)

A doutrina islâmica da expiação (ou seja, que cristãos e judeus pagarão pelos pecados dos muçulmanos) é de alguma forma melhor do que a doutrina cristã (segundo a qual a justiça perfeita de Deus é compatível apenas com seu amor perfeito)?

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