O Alcorão é mesmo a continuação da revelação do Deus da Bíblia?

alcorao

Alcorão.

O Alcorão surgiu no século VI d.C. e afirma ser a continuação da revelação da Torá (ou Pentateuco – os cinco primeiros livros da Bíblia) e do Evangelho:

“Ele te revelou (ó Mohammad) o Livro (paulatinamente) com a verdade corroborante dos anteriores, assim como havia revelado a Tora e Evangelho.” (Surata 3:3)

OBS.: “Surata” ou “Surá” é o nome de cada capítulo do Alcorão.

Porém, o Alcorão contraria informações da Torá e do Evangelho e, por isso, não podemos considerá-lo Palavra de Deus.

Vamos ver agora algumas passagens do Alcorão que entram em contradição direta com o Antigo e o Novo Testamentos:

Um dos filhos de Noé se recusou a entrar na arca e se afogou na enchente:

“E nela navegava com eles por entre ondas que eram como montanhas; e Noé chamou seu filho, que permanecia afastado, e disse-lhe: ‘Ó filho meu, embarca conosco e não fiques com os incrédulos!’ Porém, ele disse: ‘Refugiar-me-ei em um monte, que me livrará da água’. Retrucou-lhe Noé: ‘Não há salvação para ninguém, hoje, do desígnio de Deus, salvo para aquele de quem Ele se apiade’. E as ondas os separaram, e o filho foi dos afogados.” (Surata 11:42-43)

A Bíblia, porém, diz que todos os seus três filhos estavam dentro da arca:

“Noé, seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos entraram na arca, por causa das águas do Dilúvio.” (Gênesis 7:7)

A arca repousou no Monte Al-judi:

“E foi dito: ‘Ó terra, absorve as tuas águas! Ó céu, detém-te!’ E as águas foram absorvidas e o desígnio foi cumprido. E (a arca) se deteve sobre o monte Al-judi. E foi dito: ‘distância com o povo iníquo!’” (Surata 11:44)

A Bíblia, porém, diz que a arca repousou no Monte Ararate:

“E, no décimo sétimo dia do sétimo mês, a arca pousou nas montanhas de Ararate.” (Gênesis 8:4)

Chuva de pedra de argila sobre Sodoma e Gomorra:

“Responderam-lhe: Em verdade, fomos enviados a um povo de pecadores, para que lançássemos sobre eles pedras de argila, destinados, da parte do teu Senhor, aos transgressores. E evacuamos os fiéis que nela (Sodoma) havia. Porém, encontramos nela uma só casa de muçulmanos. E deixamos lá um sinal, para aqueles que temem o doloroso castigo.” (Surata 51:32-37)

“Sabei que desencadeamos sobre eles uma chuva de pedras, exceto sobre a família de Lot [Ló], a qual salvamos na hora da alvorada.” (Surata 54:34)

Porém, a Bíblia diz que Deus destruiu Sodoma e Gomorra fazendo chover fogo e enxofre do céu:

“Então o Senhor, o próprio Senhor, fez chover do céu fogo e enxofre sobre Sodoma e Gomorra.” (Gênesis 19:24)

Ademais, não foi deixado na casa de Ló e sua família nenhum “sinal”, tampouco eles eram muçulmanos. Nem havia muçulmanos na época (o Islamismo nasceu no século VI d.C.)!

O nome do pai de Abraão era Ezra:

“Quando Abraão disse a Ezra, seu pai: Tomas os ídolos por deuses? Eis que te vejo a ti e a teu povo em evidente erro.” (Surata 6:74)

Porém, a Bíblia diz que foi Terá:

“Esta é a história da família de Terá: Terá gerou Abrão [que depois passou a se chamar Abraão – Gn 17:5], Naor e Harã. E Harã gerou Ló.” (Gênesis 11:27)

Abraão viveu no vale de Meca (perto da “sagrada casa de Allah”):

“Ó Senhor nosso, estabeleci parte da minha descendência em um vale inculto perto da Tua Sagrada Casa para que, ó Senhor nosso, observem a oração; faze com que os corações de alguns humanos os apreciem, e agracia-os com os frutos, a fim de que Te agradeçam.” (Surata 14:37)

A Bíblia diz que ele viveu em Hebron:

Hebron está situada a cerca de 30 km ao sul de Jerusalém. Números 13:22 diz que “Hebron havia sido fundada sete anos antes de Tânis no Egito”, o que para alguns autores significa que Hebron não existia como cidade na época de Abraão, mas sim “associado a Mambrê, identificado na narrativa hebraica com Hebron” (Mackenzie, 2011, p. 408).

Em Gênesis 13:18, a Bíblia esclarece que: “Abraão veio com suas tendas habitar nos carvalhos de Mambrê, que ficam em Hebron; ali ergueu um altar ao Senhor.”

Abraão foi sacrificar Ismael:

“E menciona, no Livro, (a história real) de Ismael, porque foi leal às suas promessas e foi um mensageiro e profeta.” (Surata 19:54)

“E disse (Abraão): Vou para o meu Senhor, que me encaminhará. Ó Senhor meu, agracia-me com um filho que figure entre os virtuosos! E lhe anunciamos o nascimento de uma criança (que seria) dócil. E quando chegou à adolescência, seu pai lhe disse: Ó filho meu, sonhei que te oferecia em sacrifício; que opinas? Respondeu-lhe: Ó meu pai, faze o que te foi ordenado! Encontrar-me-ás, se Deus quiser, entre os perseverantes! E quando ambos aceitaram o desígnio (de Deus) e (Abraão) preparava (seu filho) para o sacrifício. Então o chamamos: Ó Abraão, já realizaste a visão! Em verdade, assim recompensamos os benfeitores. Certamente que esta foi a verdadeira prova. E o resgatamos com outro sacrifício importante. E o fizemos (Abraão) passar para a posteridade. Que a paz esteja com Abraão – Assim, recompensamos os benfeitores -, Porque foi um dos Nossos servos fiéis. E lhe anunciamos, ainda, (a vinda de) Isaac, o qual seria um profeta, entre os virtuosos.” (Surata 37:99-112)

Mas a Bíblia diz que foi Isaque:

Deus disse que a descendência de Abraão sairia de seu filho Isaque: “Então Deus respondeu: ‘Na verdade Sara, sua mulher, lhe dará um filho, e você lhe chamará Isaque. Com ele estabelecerei a minha aliança, que será aliança eterna para os seus futuros descendentes.’” (Gênesis 17:19); “Mas a minha aliança, eu a estabelecerei com Isaque, filho que Sara lhe dará no ano que vem, por esta época”. (Gênesis 17:21).

Então Abraão e Sara, ambos já em idade bastante avançada, tiveram um filho (Isaque). Porém, “Passado algum tempo, Deus pôs Abraão à prova, dizendo-lhe: ‘Abraão!’ Ele respondeu: ‘Eis-me aqui’. Então disse Deus: ‘Tome seu filho, seu único filho, Isaque, a quem você ama, e vá para a região de Moriá. Sacrifique-o ali como holocausto num dos montes que lhe indicarei.’” (Gênesis 22:1-2).

Abraão foi obediente ao pedido de Deus e, sem questionar, fez o que Deus lhe havia pedido: “Na manhã seguinte, Abraão levantou-se e preparou o seu jumento. Levou consigo dois de seus servos e Isaque seu filho. Depois de cortar lenha para o holocausto, partiu em direção ao lugar que Deus lhe havia indicado. No terceiro dia de viagem, Abraão olhou e viu o lugar ao longe.” (Gênesis 22:3-4).

Abraão não chegou a sacrificar Isaque porque Deus providenciou um carneiro para o holocausto. E, porque Abraão creditou, Deus firmou a Sua Aliança com ele e com a sua descendência, que veio por meio de Isaque (Gênesis 22:15-18; Hebreus 6:13-15).

O Novo Testamento também diz claramente que o filho da Promessa é Isaque, e não Ismael: “Vocês, irmãos, são filhos da promessa, como Isaque.” (Gálatas 4:28)

A esposa do faraó adotou Moisés:

“A família do Faraó recolheu-o, para que viesse a ser, para os seus membros, um adversário e uma aflição; isso porque o Faraó, Haman e seus exércitos eram pecadores. E a mulher do Faraó disse: Será meu consolo e teu. Não o mates! Talvez nos seja útil, ou o adoremos como filho. E eles de nada se aperceberam.” (Surata 28:8-9)

Porém, a Bíblia diz que quem o adotou foi a filha do Faraó:

“Um homem da tribo de Levi casou-se com uma mulher da mesma tribo, e ela engravidou e deu à luz um filho. Vendo que era bonito, ela o escondeu por três meses. Quando já não podia mais escondê-lo, pegou um cesto feito de junco e o vedou com piche e betume. Colocou nele o menino e deixou o cesto entre os juncos, à margem do Nilo. A irmã do menino ficou observando de longe para ver o que lhe aconteceria.

A filha do faraó descera ao Nilo para tomar banho. Enquanto isso as suas servas andavam pela margem do rio. Nisso viu o cesto entre os juncos e mandou sua criada apanhá-lo. Ao abri-lo viu um bebê chorando. Ficou com pena dele e disse: ‘Este menino é dos hebreus’. Então a irmã do menino aproximou-se e perguntou à filha do faraó: “A senhora quer que eu vá chamar uma mulher dos hebreus para amamentar e criar o menino?’ ‘Quero’, respondeu ela. E a moça foi chamar a mãe do menino. Então a filha do faraó disse à mulher: ‘Leve este menino e amamente-o para mim, e eu lhe pagarei por isso’. A mulher levou o menino e o amamentou. Tendo o menino crescido, ela o levou à filha do faraó, que o adotou e lhe deu o nome de Moisés, dizendo: ‘Porque eu o tirei das águas.’” (Êxodo 2:1-10)

Zacarias, pai de João Batista, não podia falar por apenas três noites:

“Suplicou: ‘Ó Senhor meu, faze-me um sinal!’ [Alá] Disse-lhe: ‘Teu sinal consistirá em que não poderás falar com ninguém durante três noites.’” (Surata 19:10)

Mas a Bíblia diz que ele ficou mudo por vários meses – não apenas três noites – desde que soube que sua esposa ficaria grávida até o momento em que o menino nasceu:

“Então um anjo do Senhor apareceu a Zacarias, à direita do altar do incenso. Quando Zacarias o viu, perturbou-se e foi dominado pelo medo. Mas o anjo lhe disse: “Não tenha medo, Zacarias; sua oração foi ouvida. Isabel, sua mulher, lhe dará um filho, e você lhe dará o nome de João. Ele será motivo de prazer e de alegria para você, e muitos se alegrarão por causa do nascimento dele, pois será grande aos olhos do Senhor. Ele nunca tomará vinho nem bebida fermentada, e será cheio do Espírito Santo desde antes do seu nascimento. Fará retornar muitos dentre o povo de Israel ao Senhor, o seu Deus. E irá adiante do Senhor, no espírito e no poder de Elias, para fazer voltar o coração dos pais a seus filhos e os desobedientes à sabedoria dos justos, para deixar um povo preparado para o Senhor’. Zacarias perguntou ao anjo: “Como posso ter certeza disso? Sou velho, e minha mulher é de idade avançada’. O anjo respondeu: ‘Sou Gabriel, o que está sempre na presença de Deus. Fui enviado para lhe transmitir estas boas novas. Agora você ficará mudo. Não poderá falar até o dia em que isso acontecer, porque não acreditou em minhas palavras, que se cumprirão no tempo oportuno.’” (Lucas 1:11-20)

Maria deu à luz a Jesus sob uma tamareira:

“E quando concebeu, retirou-se, com um rebento a um lugar afastado. As dores do parto a constrangeram a refugiar-se junto a uma tamareira. Disse: Oxalá eu tivesse morrido antes disto, ficando completamente esquecida.” (Surata 19:22-23)

Porém, a Bíblia diz que foi em uma estrebaria:

“Enquanto estavam lá, chegou o tempo de nascer o bebê, e ela deu à luz o seu primogênito. Envolveu-o em panos e o colocou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria.” (Lucas 2:6-7)

Maria, mãe de Jesus, é irmã de Moisés e Aarão:

“Regressou ao seu povo levando-o (o filho) nos braços. E lhes disseram: Ó Maria, eis que fizeste algo extraordinário! Ó irmã de Aarão, teu pai jamais foi um homem do mal, nem tua mãe uma (mulher) sem castidade!” (Surata: 19:27-28)

“E com Maria, filha de Imran [Anrão], que conservou o seu pudor, e a qual alentamos com o Nosso Espírito, por te acreditado nas palavras do seu Senhor e nos Seus Livros, e por se Ter contado entre os consagrados.” (Surata 66:12)

É impossível que Maria, mãe de Jesus, seja a Mariam, irmã de Moisés e Aarão, filha de Anrão: Mariam viveu 1.500 anos antes de Maria! Este é um erro fatal do Alcorão.

Mesquitas são casas de Deus:

“Sabei que as mesquitas são (casas) de Deus; não invoqueis, pois, ninguém, juntamente com Deus.” (Surata 72:18)

Mas a Bíblia diz claramente que Deus não habita em santuários feitos por mãos humanas:

“O Deus que fez o mundo e tudo o que nele há é o Senhor do céu e da terra, e não habita em santuários feitos por mãos humanas.” (Atos 17:24)

Ele habita em Seus filhos:

“Vocês não sabem que são santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês? Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; pois o santuário de Deus, que são vocês, é sagrado.” (1 Coríntios 3:16-17)


Você pode verificar todos os versículos citados do Alcorão no Alcorão Online, disponibilizado gratuitamente em alguns sites muçulmanos, como o Centro Islâmico Brasileiro e o Instituto Brasileiro de Estudos Islâmicos.

E os versículos da Bíblia podem ser acessados facilmente em diversos sites em português. A versão usada neste artigo foi a NVI (Nova Versão Internacional), que você pode ler aqui.

* Este artigo não tem por pretensão ofender a ninguém, mas simplesmente mostrar que o Deus da Bíblia não é o mesmo do Alcorão, embora muitas pessoas aleguem ser. Portanto, cristãos e islâmicos não seguem o mesmo Deus.