Jesus predisse a vinda de Maomé?

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Os muçulmanos afirmam que os versículos de João 14:16; 15:26; 16:7 referentes ao Consolador vindouro (Parácletos, no original grego) são, na verdade, predições à vinda de Maomé. A razão para tal afirmação está contida no Alcorão, que diz que seria enviado um mensageiro depois de Jesus, cujo nome seria Ahmad:

E de quando Jesus, filho de Maria, disse: Ó israelitas, em verdade, sou o mensageiro de Deus, enviado a vós, corroborante de tudo quanto a Tora antecipou no tocante às predições, e alvissareiro de um Mensageiro que virá depois de mim, cujo nome será Ahmad! Entretanto, quando lhes foram apresentadas as evidências, disseram: Isto é pura magia!” (Surata 61:6)

Yusuf Ali faz o seguinte comentário sobre este versículo: “Ahmad ou Muhammad o Louvado é quase uma tradução da palavra grega Periclytos. No atual evangelho de João, XVI. 16 XV. 26 e XVI. 7, a palavra Confortador na versão inglesa é para a palavra grega Parácletos que significa Advogado, aquele chamado para ajudar um outro, um amigo, bondoso, mais que Confortador. Nossos doutores sustentam que Parácletos é uma leitura corrompida de Periclytos, e que no discurso original de Jesus havia uma profecia de nosso santo profeta Ahmad pelo nome” (Abdullah Yusuf Ali, op. cit., p. 1540. Também cf. p. 144).

Esse é um dos motivos que leva os muçulmanos a acreditar que todas as nossas Bíblias foram corrompidas e que João realmente usou a palavra Periclytos [o Louvado] nesses versículos, ao invés da palavra Parácletos.

Ao examinar a afirmação muçulmana de que o texto foi corrompido, a crítica textual deveria analisar criteriosamente a verdadeira evidência textual. Há mais de 24 mil manuscritos do Novo Testamento que datam antes de 350 d.C. (A cópia mais antiga do Evangelho de João é o Papiro 75, datado entre 175-225 D.C. A palavra ali encontrada éParácletos e não pariclytos, como querem os muçulmanos). Não existe manuscrito algum que contenha essa citação e apareça a palavra periclytos. A palavra registrada todas as vezes é Parácletos. Não há evidência textual que possa apoiar a alegação de que o texto tenha sido corrompido.

A posição muçulmana encontra ainda maiores dificuldades quando lemos cuidadosamente estes versículos para vermos o que Jesus estava dizendo. Poderíamos dizer muitas coisas a respeito de cada versículo. Limitaremos nosso exame às discrepâncias óbvias entre a posição islâmica e o que realmente está sendo dito: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador” [a palavra grega Parácletos pode ser traduzida por Confortador, Conselheiro, Advogado ou Ajudante], para que fique convosco para sempre” (Jo 14:16). Jesus disse que o Pai “vos dará outro Consolador”. A quem Jesus estava se dirigindo nesses versículos? Aos árabes ou, mais especificamente, aos ismaelitas? É claro que não. Ele está falando aos crentes judeus. Por conseguinte, o Consolador deveria ser enviado inicialmente a eles, não podendo logicamente referir-se a Maomé, que era árabe. Além do mais, este versículo afirma que o Parácletos, o Consolador estaria “convosco para sempre”. Como pode, então, referir-se a Maomé? O profeta muçulmano morreu e foi enterrado em 632 d.C., há mais de 1.300 anos.

O evangelho de João diz: “O Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós” (Jo 14:17). Aqui, o Espírito da verdade é um outro título ou sinônimo de Parácleto. Vemos, a partir deste versículo, que o Parácleto estaria em vós [nos discípulos]. Reconciliar esta declaração com a posição islâmica é impossível!

A declaração do Senhor Jesus em João 14:26 desmonta completamente a hipótese islâmica de que Maomé era verdadeiramente aquele profetizado nos versículos, pois ele se refere ao Consolador ou Parácleto: “Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito”. Jesus disse que o Consolador é o Espírito Santo. Esta é a razão pela qual todos os apologistas muçulmanos não citam esse versículo.

  • O Consolador foi dado aos discípulos de Jesus. Maomé não foi seu discípulo. Jesus disse que os seus discípulos conheciam o Consolador: “…vós o conheceis” (Jo 14:17). Eles não conheciam Maomé, que nasceu no século sexto depois de Cristo.
  • Jesus disse que o Consolador seria enviado em Seu Nome (Jo 14:26). Nenhum muçulmano crê que Maomé tenha sido enviado em nome de Jesus.
  • Jesus disse que o Consolador não falaria de si mesmo (Jo 16:13). Em contrapartida, Maomé constantemente testifica de si mesmo no Alcorão (Surata 33:40).
  • A Bíblia diz claramente que o Consolador iria glorificar a Jesus (Jo 16.14), e Maomé declara substituir Jesus, estando na condição de profeta superior.

O Senhor Jesus em Atos 1:4-5, ordenou a seus discípulos: “… que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, que, disse ele, de mim ouvistes. Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias”. Estes versículos poderiam ser aplicados a Maomé, que surgiu 570 anos depois, em Meca, na Arábia? À luz do texto bíblico, a interpretação islâmica é impossível. O cumprimento das palavras do Senhor Jesus ocorreu dez dias depois, no dia de Pentecostes (Atos 2:1-4), e não seis séculos depois, a centenas de milhas de Jerusalém.

Portanto, não há base bíblica alguma para afirmar que Jo 14:16; 15:26 e 16:7 sejam profecias acerca de Maomé, mas, como a própria Bíblia declara, é o Espírito Santo (Jo 14:26).


VOCÊ SABIA?

O Alcorão diz, na 5ª Surata versículo 116, que a Trindade Cristã é formada por Pai, Mãe (Maria) e Filho (Jesus). Porém, é sabido por todos que nem mesmo os cristãos católicos creem que Maria faz parte da Trindade (a Trindade Cristã é formada por Pai, Filho e Espírito Santo). Mas, então, por que o Alcorão diz isso? Ora, por uma razão muito simples e desonesta: Ignorar o Espírito Santo para poder pegar os textos em que Jesus prediz a Sua vinda (Jo 14:16; 15:26; 16:7) e atribui-los a Maomé (Surata 61:6). É fazendo isso que o Alcorão diz que Jesus predisse a vinda de Maomé, quando, na verdade, Jesus predisse a vinda do Espírito Santo (Jo 14:26).